quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Descontrole Remoto


MARCELINO - Vejam só: em passagem por Salvador, eis que fomos parar (eu e o amigo Bernardo de Paula) na casa-quarto-estúdio do Coletivo Muito Barulho por Nada. Tudo de bom essa turma. E logo saquei a minha arma: um texto inédito intitulado "DESCONTROLE REMOTO". Foram logo dizendo: vamos gravar? E eu gravei. O resultado aí está: com trilha certeira e saravá!

MBPN - Benditos sejam aqueles dois dias de Marcelino em Salvador. Na primeira noite, após a Bienal do Livro, já estávamos todos na mesa de bar. Na segunda -- vale lembrar que esta sessão foi regada a muita cerveja -- literatura e música. Ah, já ia esquecendo.. e de amendoim também!



[ficha técnica]

texto e leitura - marcelino freire
música - joão vinícius

domingo, 8 de novembro de 2009

Samba da Judia

Ê, laiá! Samba de gafieira!

Pode chegar, pode chegar! Samba da Bahia.

Diretamente do Morro do Gavazza: Muito Barulho Por Nada.

Na Bahia tem samba, na Bahia tem judeu, na Bahia tem judia.

Por isso a gente canta:



[ficha técnica]

letra - álvaro andrade, gabriel camões e robson carneiro
refrão - zeca pagodinho
música - gabriel camões e joão vinícius
voz - gabriel camões

sábado, 31 de outubro de 2009

Por que o amor tem que ser tão triste?

Baseada na canção Why does love got be so sad, da banda Derek and the Dominoes, e também nas canções do seu Layla and assorted love songs, essa é uma declaração de amor a uma obra, e não (necessariamente) a uma pessoa.



[ficha técnica]

letra, música e voz
- joão vinícius

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Samanta Sem Sual

Samanta saiu sem sentir saudade
Samanta sumiu subitamente
Samanta sentiu sinceridade
saiu sem simular se sente:
ciúme, samba, sabor.

Sumiu Samanta...


[ficha técnica]

letra, melodia e música - joão vinícius

domingo, 25 de outubro de 2009

Dia das crianças

Trago, para celebrar a passagem do dia das crianças, com algum atraso mas ainda assim validado, um passeio pelo ENEARTE sob a óptica de um garoto em plena aventura, navegando as possibilidades artísticas do seu tempo.



[ficha técnica]

captação e fotografia - marceleza
edição e trilha Sonora - cebola pessoa

domingo, 11 de outubro de 2009

O Espelho (Veado Velho)

A necessidade da juventude por um outro ângulo. O reflexo, o desejo e o egoísmo.



[ficha técnica]

texto, leitura e música - joão vinícius

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O meu olhar

Este texto não me pertence (João Vinícius). Em 2006, Gabriel Camões me enviou uma letra para a banda que tínhamos. A música não aconteceu, mas, três anos depois, encontrei o texto no fundo do baú, mais rindo que chorando.



[ficha técnica]


texto - gabriel camões
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius
telefonema incidental - breno fernandes

domingo, 4 de outubro de 2009

Lados B

Às vezes revemos nossos trabalhos como revemos nossas vidas. Nesta postagem, eis os primeiros olhares sobre dois trabalhos já postados: Happy Monday e La Culture Émotionnelle.

A primeira é uma versão cantada com simplicidade, em capela, arrítmica.

A segunda, dueto recitado de improviso.

De brinde, uma versão instrumental de La Culture Émotionnelle, feita de encomenda para um curtametragem cujo diretor chegou até nós através do blog.

Happy Monday (versão abstrata)



[ficha técnica]

texto e voz - marccela vegah
música - joão vinícius



La Culture Émotionnelle (versão recitada)


[ficha técnica]

texto - marccela vegah
dueto - marccela vegah e álvaro andrade
melodia e violão - joão vinícius



Dia dos Namorados



[ficha técnica]

melodia e música - joão vinícius

domingo, 27 de setembro de 2009

Rocío

Eu sou contra a chapinha.


acompanhe lendo


[ficha técnica]

texto - breno fernandes
leitura - lois blanco
música - cebola pessoa

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sevirologia

Sempre tive uma fascinação pelas páginas em branco do fundo dos livros. Lá está a incompletude da obra, o espaço de interação entre o autor e o leitor. À imagem e semelhança vejo as relações de trabalho, onde a cada dia que passa uma geração mais capacitada e criativa chega ao mercado de trabalho e se dá conta do vazio das hierarquias e burocracias. Por um trabalho que valorize estas potencialidades!

(Esta vinheta foi uma das selecionadas do tema "De que trabalho o mundo precisa?" pelo Portal da Eletrocooperativa)



[ficha técnica]

texto, leitura e música - cebola pessoa

domingo, 13 de setembro de 2009

Tatuagem

Pergunte-me sobre o que veste, e eu te falarei de cores, pergunte-me sobre as suas canções, e eu intuirei qualquer escape de tom, mas nunca sobre uma marca que lhe acompanha por todos os dias. Como opinar acerca do irreversível? Com dedicatória à Bela Navarro.



[ficha técnica]

texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado
música - joão vinícius
vídeo - breno fernandes [captura] e joão vinícius [edição]

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Relatos Post Mortem



Sempre pensei que a morte está bem perto. Anda atrás da orelha, como a pulga, e nós, desatentos, é que não a vemos. É um olhar despreocupado, nunca tive medo e, sim, curiosidade. Escrevi, então, como quem fala do que há à janela. Duma praça amiga dos olhos, de uma montanha há séculos na paisagem, do carteiro que passa todo dia à mesma hora. Um desdém a ela que nos espreita a todo instante, mas só se dá a quem se entrega por inteiro. Para matar a curiosidade sem perder o tempo.


acompanhe lendo


[ficha técnica]

ilustração - pedro fernandes
texto - álvaro andrade
leitura - breno fernandes
música - joão vinícius

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Memória


O recordo ten o que a dor chama fotografías sen sentido, pero que viven dentro de nós. É como si o recordo falase dunha historia que non coñece, pero si sentiu como súa. A capacidade das persoas para ser outros ata sen querer...



[ficha técnica]

texto, voz e imagem - lois blanco
música - breno fernandes e joão vinícius

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bússolas apontam para o Norte



o poema tem que jorrar da alma e rasgar o peito e o que fica à mostra eu exponho controversa, vermelho escarlatizando cálidos versos... e ofereço a saudade em flor quando ofertada nos beijos que não te dou.


acompanhe lendo


[ficha técnica]
texto - sheyla de castilho
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Inveja

Tenho inveja de pedra, de árvore, de água.
Não porque não morrem, que a morte é o sentido da vida.
Não porque não deixam a manhã perdida, sucumbindo na televisão.
Não porque parecem não se incomodar com o que sem saber acontece de acontecer, porque o imprevisto é o presente.
Não porque montanhas, rios, jaqueiras, são maiores que os homens. Gigantes não acampam em cavernas, não mergulham em cachoeiras nem dormem debaixo da sombra.
Tenho inveja de pedra, de árvore, de água porque elas não se fazem de otárias.



[ficha técnica]

texto, leitura e música - gabe pardal

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

La Chanson du Soleil

Amor expressionista -- há quem não resista
o eu-lírico feminino sob uma óptica machista
Nosferatu me desculpe, mas eu sou mais realista.



[ficha técnica]

letra, voz e música - joão vinícius
edição - joão vinícius
fala introdutória - breno fernandes
imagens -
nosferatu [1922, f. w. murnau]

domingo, 9 de agosto de 2009

La Culture Émotionnelle

Não sei bem o que dizer sobre isso... Talvez seja mais uma tola e naive canção de amor. Mas talvez seja um retrato dos desentendimentos entre duas pessoas que um dia se amaram e, depois, tornaram-se simplesmente habituadas uma a outra. Os caminhos se separam, as direções olhadas são distintas, e aí chega o ponto que nenhum dos dois fala mais a mesma língua.


[ficha técnica]

letra - marccela vegah
voz - marccela vegah e joão vinícius
música - joão vinícius, com improvisação de saulo dourado [chocalho]

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Soneto da Encruzilhada



Em seu antigo blog, o escritor Daniel Galera escreveu, a respeito do contexto de criação de Até o dia em que o cão morreu, que chamava a sua atenção "um fenômeno de certa apatia entre as pessoas da minha idade e minha classe social, um excesso de possibilidades que desnorteava as pessoas, tornava tudo no mundo equivalente, e portanto igualmente desinteressante."

Eu percebo algo similar em muitas pessoas da minha idade e minha classe social, eu inclusive. Sonhamos em fazer um pouco de tudo na vida, mas, sem saber por onde começar — ou ter ânimo para começar –, às vezes optamos por continuar sentados na mesa do bar, sonhando. Nos dá pavor a ideia de escolher um caminho e gastar a carta da escolha.

Estamos parados na encruzilhada das possibilidades infinitas.

versão 1


acompanhe lendo

versão 2


[ficha técnica]

texto - breno fernandes
leitura - álvaro andrade [versão 1] e pareta calderash [versão 2]
ilustração - álvaro andrade
música - cebola pessoa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Die Verwandlung (excerto)

Há tempos, eu (Breno) levei para um de nossos encontros uma canção do Mestre Monclar Valverde cuja letra era o início de A Metamorfose, de Franz Kafka, em francês. É uma música belíssima: para além da cadência do texto -- não lembro quem foi o tradutor, perdoem, só me recordo do fato de que era poeta -- para além da cadência do texto, a melodia cria uma atmosfera que transita entre luz e sombra, como a própria obra do Kafka.

Kafka é um de meus autores favoritos, uma referência tanto literária quanto filosófica. Quando, então, descobri que Vegah falava alemão, não pude deixar de pedir-lhe que me lesse o princípio de A Metamorfose no original. (Kafka, apesar de ser checo, escrevia em alemão. Se você tem uma ideia incrível...)

Queria escutar a sonoridade, a força das palavras que ele escolheu. Como João também estava seduzido pela desafio de tentar criar sua própria leitura da atmosfera da obra (e acho que ele conseguiu bastante bem), resolvemos gravá-la, e aí está. Um singelo presente àqueles que, como nós, admiram este autor.

Vou aproveitar a deixa para falar ainda da nossa produção em outras línguas. No último encontro, Saulo e eu conversávamos sobre isto. Para não mencionar o fato de um dos nossos barulhentos (Lois) ser galego, o que pontuei naquele momento foi que, de certa forma, pode ser mais fácil escrever em outra língua, porque, com nosso vocabulário restrito, acabamos por aceitar aquela única palavra que sabemos para representar algo. A nossa língua-mãe, ao invés, se nos apresenta um amplo leque de opções, nos deixa escolhas -- e todos que escrevem sabem a tarefa árdua que pode ser escolher entre um mas e um porém.

Para estender meu argumento, cito Borges, um texto fruto de uma conferência, intitulado Pensamento e Poesia, que me foi apresentado pelo próprio Monclar. A tese sustentada por Borges aí é a de que a ideia válida para a música, sobre a impossibilidade de cindir a forma da substância, também o é para a poesia.

Em seus estudos histórico-linguísticos, Borges nos mostra que as palavras não começaram abstratas (no sentido de convencionadas), mas concretas, com um forte significado, envoltas em mágica -- “acredito que, nesse caso, 'concretas' signifique quase o mesmo que 'poéticas'”, escreve ele. Para deixar cá um exemplo, vale transcrever sua análise da palavra “noite”:

“...podemos presumir que, de início, ela representava a própria noite – sua escuridão, suas ameaças, as estrelas cintilantes. Então, depois de tanto tempo, passamos ao sentido abstrato da palavra 'noite' – o período entre o crepúsculo do corvo [...] e o crepúsculo da pomba, o princípio do dia.”

Com todas as nossas limitações, nós gostamos de pensar que buscamos essa concretude mágica das palavras. Em todas as línguas com as quais nos relacionamos.

That's all, folks.




[ficha técnica]

texto - franz kafka [a metamorfose, no original]
leitura - marccela vegah
música - joão vinícius

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Happy Monday

Segundas feiras podem ser felizes, assim como paixões à primeira vista podem ser infelizes. Os paradoxos da vida, enfim...




[ficha técnica]

letra e melodia - marccela vegah
voz - marccela vegah
música e segunda voz - joão vinícius